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terça-feira, 4 de maio de 2021
segunda-feira, 26 de abril de 2021
quarta-feira, 27 de março de 2019
JUSTIÇA SEM PAREDES E O PROCESSO VIRTUAL
Boanerges Cezário*
A virtualização do processo e dos procedimentos na justiça é um processo
irreversível e está em estágio bastante avançado.
A velocidade das transformações econômicas atinge a justiça, e qual a resposta
que se deve apresentar?
Trabalhar com novas tecnologias, diante de tantas exigências, é sinônimo de
ganhos de produtividade.
Todos os servidores e membros do Poder Judiciário continuarão imbuídos de
quebrar os paradigmas das vetustas formas de trabalho.
Os serventuários das secretarias poderão trabalhar à distância, pois o acesso
remoto às minutas, às bibliotecas e aos bancos de jurisprudência torna
desnecessária a presença física nas dependências da Justiça, dos envolvidos na
entrega da prestação jurisdicional, principalmente no tocante aos atos de
lavrar sentenças, despachos, decisões e outros expedientes.
O oficial de justiça do tempo dos autos de papel, o longa manus,
está agora acumulando a atribuição de “longa mouse”, pois, antes de
qualquer diligência, ele tem de enveredar pelos bancos de dados disponíveis na
internet (Renajud, Cartórios, Detran, CNIS, dentre outros). Até a localização
dos endereços e dos imóveis agora pode ser feita com o auxílio de mapas
digitais, GPS etc.
Lembro de uma decisão antecipadora dos novos tempos, lavrada há 8 anos, cujo
teor transcrevo abaixo:
Servidora
do TRF em Porto Alegre ganha direito de trabalhar da Espanha
DE
PORTO ALEGRE - Uma servidora do Tribunal Regional Federal da 4ª Região
conseguiu o direito de trabalhar à distância na Espanha por dois anos.
Cristiane
Meireles Ortiz, 32, é analista judiciária na sede do TRF, em Porto Alegre e, a
partir desta semana, irá trabalhar em Madri. O marido, delegado da Polícia
Federal, foi destacado para missão na Europa. Pela internet, ela receberá
ordens da juíza para quem trabalha, Maria Lúcia Luz Leiria. A iniciativa foi da
própria juíza, que diz que não poderia ficar sem uma servidora e que há meios
para que ela trabalhe à distância. O pedido foi aceito pelo conselho que
administra o tribunal. O órgão considera que há "uma mudança de
referenciais no ambiente profissional" e que deveria acompanhar "os
novos tempos".
A
analista judiciária é responsável por ajudar a juíza a fazer relatórios e
pesquisas para fundamentar suas decisões.
Despesas,
como internet, serão pagas pela funcionária.
Normas
internas não permitiriam contratar um substituto por dois anos ou realocar
outro servidor, diz o tribunal.
A
servidora tinha direito a tirar licença não remunerada. Um analista judiciário
do TRF ganha a partir de R$ 6.550 ao mês. A Folha não conseguiu localizar a
servidora ontem.
Fonte:
Folha de São Paulo, de 19.07.2011
A vantagem disso é a economia de energia, menos trânsito na rede dos fóruns,
menos consumo de papel dentro da justiça, evitando também que o magistrado
perca um servidor competente e apto para auxiliá-lo só por causa do
afastamento.
Em regime de home office, produtividade
e rapidez são consectários naturais, apesar de pensamentos contrários.
O mundo está em plena mudança, onde servidores e membros do Poder Judiciário
têm de enfrentá-la, atentando que devem: 1) aprender a trabalhar e a conviver
com trabalhadores sob este novo regime; 2) conhecer as estratégias, modelos e
metodologias desse tipo de trabalho; 3) desenvolver e cultivar os
comportamentos que dão maior produtividade, mais resultados e mais
tranquilidade.
E isso tudo, para que
todos se beneficiem, deve ser experimentado dos dois lados: por aqueles que
continuarão com atividades mais internas e por estes novos segmentos
desenvolvedores de atividades home-officers.
Na prática,
alguns já fazem isso. O que está errado é o comportamento omisso de muitos, que
resistem e não veem que o “processo de papel” vai deixar de existir, e o processo
virtual, que já chegou para ficar, tem espaço e atribuições para todos. Basta
se enquadrar, quebrar paradigmas e lutar sempre pela inclusão digital.
*Oficial de Justiça
terça-feira, 5 de julho de 2016
O BRASILEIRO NÃO SABE VOTAR
Boanerges Cezário*
Caro leitor,
a frase acima foi proferida por Edson Arantes do Nascimento (Pelé) nos idos do
anos 70 , se a memória não me trai momento, pois nasci no século passado e por
essas alturas os algoritmos cerebrais já não coadunam mais as informações com
perfeição.
Mas, antes
de mais nada, devo dizer que , mesmo sendo descrente do futebol no Brasil e do
Brasil, Pelé não virou Rei por acaso.
Lembro que a
imprensa e demais formadores de opinião, na época, jogaram toda a ira sobre a frase dita pelo Rei.
Que podemos
concluir agora, inclusive para, se eu quisesse, encerrar o artigo por aqui?
O REI ESTAVA
CERTO.
Toda essa
balbúrdia no Congresso, toda essa rede de corrupção impregnada no corpo da
sociedade brasileira feito uma metástase, prova que o BRASILEIRO NÃO SABE
VOTAR.
(...)
Blogueiro*
quarta-feira, 16 de março de 2016
O MITO DO ESTACIONAMENTO (SOMBRAS E APARÊNCIAS)
Boanerges
Cezário*
Há algum
tempo diversos servidores de um órgão do Poder Judiciário manifestaram numa
discussão por e-mail insatisfação sobre a oferta de vagas no estacionamento
daquele órgão.
Todas
as manifestações eram pertinentes.
Uma,
por exemplo, salientava que o órgão dispunha de um estacionamento amplo para
estacionar os carros à sombra.
Outras, asseverava que tudo era reflexo do tratamento dado aos servidores do referido órgão,
reclamando ainda sobre a necessidade de aumento do reembolso e ampliação de alguns tratamentos médicos.
A mais “politicamente correta” dizia que “O sistema utilizado naquele estacionamento se assemelhava
a criar cotas no estacionamento de uma universidade pública e esquecer a dos professores,
profissionais que movem a máquina, cuja ausência tornaria inócua a presença de
outros profissionais externos à instituição”.
Na verdade, todas as opiniões são pertinentes, mas há um problema maior em torno
dessa falta de tudo: o sucateamento do Poder Judiciário, do qual todos são vitimas, eu disse TODOS.
As diretrizes governamentais apontam para isso com corte de custos, mas por enquanto
corte de custos só com trabalhadores.
No passado, foram feitos planos de carreira para atrair os melhores para dentro
do serviço público, objetivando a melhoria no atendimento e qualidade do serviço prestado.
Com tais planos, os servidores que aderiram a tais projetos, fazendo concurso e se
dedicando à carreira, mudaram o curso de suas vidas, abdicaram de outras funções
e agora depois de tudo são agraciados com tais benesses, ou seja, abandono puro.
Seja ele material, humano, salarial...
O problema agora é que começam a aparecer os sinais de abandono com as
carreiras estagnadas, ocasionando o pior para o serviço, ou seja, o crescente
êxodo dos novatos para outros órgãos.
Em face do custo de vida por aqui ser menor, por enquanto só se presta atenção
a micro problemas como “vagas de estacionamento”, “equipamentos de trabalho obsoletos”, dentre outros.
Agora, pergunte a um colega que mora em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro,
ou noutros grandes centros, por exemplo, o que está fazendo mais falta a ele.
Estacionamento nem se fala, pois ali não existe mesmo, devido às dificuldades no espaço
daquelas cidades. O que eles tão sentindo mesmo é falta de incentivo salarial, falta de
apoio às iniciativas de qualidade, desmotivação da equipe.
Além do mais, com a política salarial distorcida, mas muito bem “pensada” em Brasília,
faz com que os novatos e bons não encontrem motivação para ficar no serviço.
Aí sim, estamos nos transformando em “escolinha de treinamento” para o mercado de trabalho .
Além do mais, agora, até os que galgaram funções melhores (incluindo as de gestão) estão
vendo também que o futuro não é tão promissor às suas necessidades.
Perderemos quadros importantes para outros órgãos, como já estamos perdendo,
com a tendência salarial em baixa.
Já auxiliei também no treinamento, colaborando na instalação de varas em subseções
e vejo como temos outro problema surgindo: o nível de qualidade de alguns novatos
tem deixado a desejar. Pergunto: isso é reflexo de que? Alguém adivinha?
Quanto às reclamações, como já disse, são pertinentes, mas é bom lembrar que há
um problema maior por trás de tudo, há defasagem salarial e se reclamarmos sobre
os pequenos problemas, não resolveremos o “todo”.
E assim, como no MITO DA CAVERNA de Platão, seremos sempre prisioneiros,
permanecendo de costas para a abertura luminosa e de frente para a parede escura do fundo.
Sem querer provocar, mas já provocando, pergunto:
01 que tal a gente pensar nos colegas do sudeste (maioria dos servidores e que
nunca terão estacionamento) que não conseguem viver em equilíbrio financeiro com seus salários ali?
02 acho que toda essa situação de abandono ao servidor é alimentada por todos nós
de uma forma ou de outra, pois resolvemos não mexer na nossa zona de conforto e implicamos
com problemas do tipo “vagas no estacionamento”, “restaurante fechado”, enquanto todas as
estatísticas vão bem, significando que todo mundo está satisfeito com tudo, inclusive salário,
fazendo “a prestação jurisdicional” estar sempre em dia e o salário... “ó”
Um amigo meu, que se chama Zé Bidu, acompanhou os e-mails e disse: “Rapaz,
acho que todo mundo deveria sair do mundo das opiniões e caminhar para
o mundo das ideias . E nesses e-mails não vi nenhuma rsrsrs
Mas ele, Zé Bidu, pensa o seguinte: .
Os servidores precisam, por intermédio de seus órgãos representativos, fomentar a necessidade
de eleger Deputados e Senadores, que
sejam servidores para legislarem em prol do serviço público.
Diz Zé que
“não basta a luta sindical, quando o que vale mesmo é a lei”.
Inclusive porque fazer greve batendo ponto não é greve.
E as conclusões de greve não se transformam em lei.
Vão encarar?
Oficial de Justiça/Blogueiro *
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