Dore Oliveira*
A semana passada escutei a história de um cliente , dono de uma loja de balas e doces bem antiga, essa loja é bastante conhecida no ramo.
A empresaa estava passando por muitas dificuldades iguais as nossas e o valor dos impostos eram também astronômicos . Enfim, todos orientavam pra ele DECRETAR FALÊNCIA e ele escapou do suicídio por algumas vezes pois a situação era muito complicada, tinha dois filhos que foram criados no comércio: um arrumou dinheiro emprestado e foi embora pro exterior, o outro passou num concurso e foi ser funcionário público. Ficou só ele e esposa sem nada nas prateleiras e dívidas por tudo o que era canto. A situação cada vez mais piorava e ele sempre pedindo a Deus, inspiração e Deus sempre dava uma nova chance a ele toda vez que escapava das tentativas de antecipar o fim de sua vida. Então, ele contou que todos os domingos ia pra missa e sempre ficava buscando outras tentativas de sair do ciclo em que se encontrava. Apesar de estar sem recursos pra honrar os compromissos, ele sempre dava uma quentinha a um mendigo que ficava pela rua, ele contou que muitas vezes deixava de almoçar, mas dava o almoço dele e um domingo após a missa, ele muito angustiado e sem planos foi na loja pra ver se de fato resolvia o fim de tudo, quando chegou na calçada como sempre o mendigo estava e gritou por ele. Foi até ele e a situação de saúde do mendigo estava muito mal, todo urinado, sujo de vômito e se tremendo, ele esqueceu no momento os problemas pegou o homem e levou pro hospital . No caminho o mendigo falou algo que mudou de fato o percurso da história:
“NÃO DESISTA, NÃO
DECRETE FALÊNCIA, CONTINUE, O SENHOR VAI CONSEGUIR, PEGUE UM POUCO DAS SUAS
BALAS E BOTE UMA BANCA NA FEIRA, ESSA BANCA VAI AJUDAR AO SENHOR A SAIR DOS
PROBLEMAS, VENDA EM TODAS AS FEIRAS”.
Quando chegou no hospital , o homem disse a ele: embaixo do tambor verde que está
no depósito tem minha bolsa preta, fique com ela e compre todo de bala e nunca
deixe acabar seu comércio.
O mendigo morreu de parada cardíaca
antes de começar os procedimentos e ele foi cuidar da indigência com o serviço
social do hospital. Na segunda, quando ele chegou na loja e foi no tambor tinha
na bolsa R$10.800,00. Ele comprou todo de mercadoria e 5 anos depois abriu uma
filial na rua e nunca mais deixou de vender na feira e a loja continua cheia de
mercadoria e ele fazendo o que gosta com quase 80 anos de idade.
Pensou, Deus mandou o mendigo pra
livrá-lo do fim, que tantas vezes ele quis antecipar e ainda deu uma orientação
contrária ao que muitos queriam que ele fizesse, inclusive os filhos. Ele me
disse que o filho que é servidor público todas as férias e folgas que tem passa
dentro do comércio e conta com orgulho o encorajamento do pai. O filho dos
estados Unidos, agora está investindo no ramo de doces pra voltar e colocar uma
doceteria no Shopping e ele segue contando a sua história a quem ele ver que
precisa escutar, ele me disse que não conta essa história em vão conta apenas
quando percebe que precisa falar algo a alguém.
Ele me disse que é cliente da minha
loja ha muitos anos e quando me viu fazendo uma manobra na venda, sentiu a
necessidade de falar comigo e me perguntou se eu tinha interesse de ouvir uma
experiência vivida por ele, pois me falou que hoje tem olhos de ver e percebe
de longe as coisas, mas só fala nesse momento da vida quando Deus o toca, pois
esse período da vida dele e da família foi muito sofrido e evita falar a toa.
Fiquei sem graça e ao mesmo tempo sem
ação, mas o chamei pra mesa e fomos conversar. Estava na loja só.
Fiquei muito emocionada com a
história que ouvi e me senti exatamente como ele se sentia.