domingo, 26 de julho de 2015

Agradecimento ao professor e juiz federal William Douglas

Agradecimento ao professor e juiz federal William Douglas pelo seu pronunciamento,
Meritíssimo Magistrado Wiliam Douglas, o seu confortante pronunciamento em favor da reinvindicação dos servidores do Judiciário Federal por recomposição dos salários e pelo resgate da valorização profissional e da dignidade humana, é tão significativo e alentador que faz muitos dos sentimentos de injustiça e abandono ser amenizados e anestesiados diante do oásis de reconhecimento e apoio, que representa a sua manifestação.
O seu posicionamento sereno e contundente veio em boa hora e por parte de pessoa experiente e de elevado senso de justiça. O senhor, nobre magistrado, habituado em perceber e corrigir injustiças no dia a dia da sua atividade jurisdicional e humana, optou, diante dessa luta e problemática, por assumir uma posição firme e proativa em defesa e em valorização dos servidores.
Certamente, muitas outras pessoas e autoridades importantes, a exemplos de juízes, desembargadores e ministros dos tribunais pátrios, também estão sensibilizados e desgostosos com o tratamento ilegal e abusivo que os servidores vêm recebendo, a longo de uma década, pela recomposição ainda que parcial dos seus salários. Todavia, não se pode deixar de reconhecer que uma parte considerável dessas elevadas pessoas e autoridades, responsáveis por fazer esse tipo de denúncia e cobrança, não se sentem confortáveis, por diversas razões, a tomar a posição firme e serena que Vossa Excelência adotou de maneira tranquila e calma. 
Digno magistrado, o senhor pela posição e atitude tomada em momento tão desfavorável e adverso para os servidores, diferentemente, de boa parte de juízes e magistrados que também reconhecem o massacre e desrespeito sistemático e prolongado que os servidores vêm passando, teve uma postura nobilíssima e além daqueles outros, que mesmo merecendo a consideração de nós servidores, não podem ter as suas ações equiparadas à elevação da sua demonstração em prol dos servidores.
Até mesmo em razão do ofício exercido e do ambiente de trabalho, nós servidores conhecemos, advogados, membros do Ministério Público e magistrados, que também são solidários e defensores dos direitos dos serventuários da Justiça, pois querem o melhor para a categoria dos servidores e para valoração da entrega da prestação forense e jurisdicional. Assim, por exemplo, em nosso local de trabalho, conhecemos e somos gratos ao tratamento dispensado de apoio e de solidariedade aos servidores pela reinvindicação da recomposição de salários e pela valorização profissional. Mas, nada obstante isso, é inegável que o seu nível de envolvimento e de defesa dos direitos dos trabalhadores da Justiça federal é algo que toca o universo dos servidores e servidoras, pela forma destemida e declarada como se envolveu na questão. 
O aspecto valoroso do seu marcante gesto e atitude em defesa dos servidores foi que, seguramente, ninguém lhe pediu para ser o defensor e porta-voz dos servidores. Esse seu importante ato de apoio e solidariedade em proteção dos serventuários partiu voluntariamente da sua consciência e coerência. Pois, inevitavelmente, o senhor também já sofreu iniquidades e teve violação de direito, e, diante desse estado de injustiça, nada mais natural da sua parte do que interceder nesta querela em favor da parte hipossuficiente, objetivando restaurar o equilíbrio da Justiça e da dignidade da pessoa humana.
A sua aclamação pela valorização do trabalho e defesa da qualificação e respeito dos servidores é algo comovente e difícil de ser traduzido em palavras. 
Seguramente, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, não deve ter gostado e visto com bons olhos a sua tomada de posição e cobrança em favor dos servidores. Pode interpretar como sendo uma manifestação e atitude afoita e irreverente.  No entanto, o senhor está em paz com a sua consciência e razão porque foi capaz de ser coerente com a sua história de vida e de magistrado. Honrou o dignificante juramente feito no ato de posse da investidura na magistratura, nos seguintes termos: “Prometo bem desempenhar os deveres do meu cargo, cumprindo e fazendo cumprir a Constituição e as leis do País". Agiu de forma equilibrada e serenamente em conformidade com os seus princípios e imposição do cargo de magistrado. Diferentemente de alguns outros respeitosos juízes, o senhor fez a sua escolha, assumiu um lado nessa tomentosa batalha entre os servidores e os aguerridos representantes do Executivo Federal, que a todo custo, nem se quer admitem retroceder nas suas investidas e ataques lançados contra os servidores. 
Nos seus momentos solitários de reflexão, ainda que seja mal interpretado e sofra algum revés pela bela atitude assumida, lembre-se que são poucos os magistrados que podem se gabar da postura tomada nessa discussão e que foram coerentes com o juramento de declaração e reconhecimento de Justiça.
Enfim, sei que a causa ainda não está ganha. Muito se precisa construir para se vencer os obstáculos e alcançar o objetivo final que é comum aos servidores, no entanto, receber a sua grata e importante posição de apoio, é algo por demais gratificante e reconfortante. Tudo o mais, que ocorrer daqui para frente, sei que a categoria dos servidores e seus representantes sindicais vão saber comportar-se e tomar as devidas providências.
Nobre magistrado Wiliam Douglas, não gostaria de me estender, mas faço aqui essa mensagem de gratidão e de reconhecimento a Vossa Excelência, em nome de muitos servidores que não tiveram ou não podem se manifestar, pela relevância e valoração do seu posicionamento e mensagem em favor dos servidores em conjuntura tão adversa e hostil. Portanto, quero-me somar as valiosas mensagens de apreço e de estima a sua posição declarada em favor dos servidores neste embate e, especialmente, agradecer-lhe pelo gesto nobre e humano revelado em defesa da valorização do trabalho e da dignidade do trabalhador.
Respeitosamente,

Asilvan de Oliveira Moreira
Analista judiciário da 2º Vara da Justiça Federal
de 1º Grau da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário