Certa vez Zé do Agreste contou-me uma estorinha, que assim eu conto como contou-me Zé:
Professor, eu tava passando no corredor da Escola do meu município, tinha uma janela grande, que pelo lado de dentro observei muita gente como estivessem assistindo aula.
Perguntei ao vigilante, ele informou que eram aulas para turma de especialização para formar uma turma de professores, que daria aula para formação de alunos para uma visão cidadã.
Não entendi muito a narrativa daquele vigilante, mas me debrucei na janela e notei a cara de espanto dos alunos/professores.
No quadro estava escrito em letras maiúsculas: CETICISMO RELATIVO.
Não sei o que é ceticismo, nem muito menos relativo, mas, como também fiquei espantado com o espanto dos professores/alunos, encarei-os e disse que eu seria um aluno deles e que olhassem pra mim com normalidade e não com olhares de turista internacional que se espantam com a presença de bichos da nossa fauna, que para nós soam comuns. Todo mundo riu.
O professor que dava aula continuou e sapecou uma pergunta, mostrando a projeção de uma foto de uma maçã no quadro branco.
A pergunta para os futuros professores foi a seguinte:
- o que é isso?
Todo mundo respondeu que "era uma maçã".
O professor arregalou os olhos e foi repetindo para cada um a pergunta:
Todos repetiram a mesma resposta, "que era uma maçã"
Não faltou ninguém, ai o professor olhou pra mim e fez a mesma pergunta:
- O que é isso?
Respondi que achava que aquilo não era uma maçã...No que a turma caiu na gargalhada.
O Professor se aproximou de mim e disse: - Você pode explicar o por quê?
Eu disse: - Isso aí é uma projeção de uma foto de uma fruta que possivelmente pode ser uma maçã.
Ele continou e perguntou: - O que faz você pensar assim?
Respondi: - Ora, Mestre, a imagem da coisa não se confunde com a coisa em si.
Ele estupefato acrescentou que não entendia como um cidadão quase apedeuta, na visão da turma, sabia tanto.
Inconformado, o Mestre ainda disse: - na prática, sr Zé, como pode fazer a distinção?
O negócio tava ficando pesado de mais pra mim, começou a vista arder e eu não tinha nenhum paracetamol pra tomar no bolso.
Peguei o chapeu, olhei pra cima e respirei, mas respondi:
- Na prática, Mestre, é só fazer o seguinte: imprima a imagem e compre uma maçã no mercado ai na frente. Depois, mastigue, engula a imagem de papel, tome um copo d´água, depois coma a maçã inteira...
O Mestre olhou pra turma e disse: - Isso tem a ver com empirismo também, né pessoal?
Nessas alturas do debate, eu já tinha saido de fininho
em direção às escadas, a turma ficou num barulho danado.
Eu, hein?!
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